quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

OLAVO DE CARVALHO - CONSIDERAÇÕES - CRÍTICA

CONSIDERAÇÕES
                                                                                                        Olavo de Carvalho
[No Brasil,] O ambiente visual urbano é caótico e disforme, a divulgação cultural parece calculada para tornar o essencial indiscernível do irrelevante, o que surgiu ontem para desaparecer amanhã assume o peso das realidades milenares, os programas educacionais oferecem como verdade definitiva opiniões que vieram com a moda e  desaparecerão com ela. Tudo é uma agitação superficial infinitamente confusa onde o efêmero parece eterno e o irrelevante ocupa o centro do mundo. Nenhum ser humano, mesmo genial, pode atravessar essa selva selvaggia e sair intelectualmente ileso do outro lado. Largado no meio de um caos de valores e contra-valores indiscerníveis, ele se perde numa densa malha de dúvidas ociosas e equívocos elementares, forçado a reinventar a roda e a redescobrir a pólvora mil vezes antes de poder passar ao item seguinte, que não chega nunca.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

TEXTO CITADO NUM COMENTÁRIO DA TRANSCRIÇÃO DE LEONARDO BOF - O IMPORTANTE É O BOM SENSO!

EM TOM DE MIMIMI
QUINTA-FEIRA, 8 DE JANEIRO DE 2015
POSTADO POR EL RAFO SALDAÑA ÀS 09:20

                   JE NE SUIS PAS CHARLIE
Charlie Hebdo - HS n°5H - Qui veut la peau de l'école ?
Em primeiro lugar, eu condeno os atentados do dia do 7 de janeiro. Apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou um cara pacífico. A última vez que me envolvi em uma briga foi aos 13 anos (e apanhei feito um bicho). Não acho que a violência seja a melhor solução para nada. Um dos meus lemas é a frase de John Donne: “A morte de cada homem diminui-me, pois faço parte da humanidade; eis porque nunca me pergunto por quem dobramos sinos: é por mim”. Não acho que nenhum dos cartunistas “mereceu” levar um tiro. Ninguém merece. A morte é a sentença final, não permite que o sujeito evolua, mude. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem.
Após o atentado, milhares de pessoas se levantaram no mundo todo para protestar contra os atentados. Eu também fiquei assustado, e comovido, com isso tudo. Na internet, surgiu o refrão para essas manifestações: Je Suis Charlie. E aí a coisa começou a me incomodar.
A Charlie Hebdo é uma revista importante na França, fundada em 1970 e identificada com a esquerda pós-68. Não vou falar de toda a trajetória do semanário. Basta dizer que é mais ou menos o que foi o nosso Pasquim. Isso lá na França. 90% do mundo (eu inclusive) só foi conhecer a Charlie Hebdo em 2006, e já de uma forma bastante negativa: a revista republicou as charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten (identificado como “Liberal-Conservador”, ou seja, a direita européia). E porque fez isso? Oficialmente, em nome da “Liberdade de Expressão”, mas tem mais...
O editor da revista na época era Philippe Val. O mesmo que escreveu um texto em 2000 chamando os palestinos (sim! O povo todo) de “não-civilizados” (o que gerou críticas da colega de revista Mona Chollet – críticas que foram resolvidas com a saída dela). Ele ficou no comando até 2009, quando foi substituído por Stéphane Charbonnier, conhecido só como Charb. Foi sob o comando dele que a revista intensificou suas charges relacionadas ao Islã – ainda mais após o atentado que a revista sofreu em 2011.
Uma pausa para o contexto. A França tem 6,2 milhões de muçulmanos. São, na maioria, imigrantes das ex-colônias francesas. Esses muçulmanos não estão inseridos igualmente na sociedade francesa. A grande maioria é pobre, legada à condição de “cidadão de segunda classe”. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou. Já ouvi de pessoas que saíram de um restaurante “com medo de atentado” só porque um árabe entrou. Lembro de ter lido uma pesquisa feita há alguns anos (desculpem, não consegui achar a fonte) em que 20 currículos iguais eram distribuídos por empresas francesas. Eles eram praticamente iguais. A única diferença era o nome dos candidatos. Dez eram de homens com sobrenomes franceses, ou outros dez eram de homens com sobrenomes árabes. O currículo do francês teve mais que o dobro de contatos positivos do que os do candidato árabe. Isso foi há alguns anos. Antes da Frente Nacional, partido de ultra-direita de Marine Le Pen, conquistar 24 cadeiras no parlamento europeu...
De volta à Charlie Hebdo: Ontem vi Ziraldo chamando os cartunistas mortos de “heróis”. O Diário do Centro do Mundo (DCM) os chamou de “gigantes do humor politicamente incorreto”. No Twitter, muitos chamaram de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.
O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. (Isso gera situações interessantes, como o filme A Mensagem – Ar Risalah, de 1976 – que conta a história do profeta sem desrespeitar esse dogma – as soluções encontradas são geniais!). Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a estátua de Nossa Senhora para atacar os católicos. O Charlie Hebdo publicou a seguinte charge.
Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. Ok, o catolicismo foi banalizado. Mas isso aconteceu de dentro pra fora. Não nos foi imposto externamente. Note que ele não está falando em atacar alguns indivíduos radicais, alguns pontos específicos da doutrina islâmica, ou o fanatismo religioso. O alvo é o Islã, por si só. Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista. Na época das primeiras publicações, diversas associações islâmicas se sentiram ofendidas e decidiram processar a revista. Os tribunais franceses – famosos há mais de um século pela xenofobia e intolerância (ver Caso Dreyfus) – deram ganho de causa para a revista. Foi como um incentivo. E a Charlie Hebdo abraçou esse incentivo e intensificou as charges e textos contra o Islã.
Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência (quantos trocadilhos com “matar” e “explodir”...). Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam...
 
E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). A piada tem esse poder. Se a piada é preconceituosa, ela transmite o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu vizinho muçulmano, a relação de identificação-projeção é criada mesmo que inconscientemente. Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas.
No artigo do Diário do Centro do Mundo, Paulo Nogueira diz: “Existem dois tipos de humor politicamente incorreto. Um é destemido, porque enfrenta perigos reais. O outro é covarde, porque pisa nos fracos. Os cartunistas do jornal francês Charlie Hebdo pertenciam ao primeiro grupo. Humoristas como Danilo Gentili e derivados estão no segundo.” Errado. Bater na população islâmica da França é covarde. É bater no mais fraco.
Uma das defesas comuns ao estilo do Charlie Hebdo é dizer que eles também criticavam católicos e judeus. Isso me lembra o já citado gênio do humor (sqn) Danilo Gentilli, que dizia ser alvo de racismo ao ser chamado de Palmito (por ser alto e branco). Isso é canalha. Em nossa sociedade, ser alto e branco não é visto como ofensa, pelo contrário. E – mesmo que isso fosse racismo – isso não daria direito a ele de ser racista com os outros. O fato do Charlie Hebdo desrespeitar outras religiões não é atenuante, é agravante. Se as outras religiões não reagiram a ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado.
“Mas isso é motivo para matarem os caras!?”. Não. Claro que não. Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça francesa tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar”.
“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados – como o racismo ou a homofobia – isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim.
Por coincidência, um dos assuntos mais comentados do dia 6 de janeiro – véspera dos atentados – foi a declaração do comediante Renato Aragão à revista Playboy. Ao falar das piadas preconceituosas dos anos 70 e 80, Didi disse: “Mas, naquela época, essas classes dos feios, dos negros e dos homossexuais, elas não se ofendiam.”. Errado. Muitos se ofendiam. Eles só não tinham meios de manifestar o descontentamento. Naquela época, tão cheia de censuras absurdas, essa seria uma censura positiva. Se alguém tivesse dado esse toque n’Os Trapalhões lá atrás, talvez não teríamos a minha geração achando normal fazer piada com negros e gays. Perderíamos algumas risadas? Talvez (duvido, os caras não precisavam disso para serem engraçados). Mas se esse fosse o preço para se ter uma sociedade menos racista e homofóbica, eu escolheria sem dó. Renato Aragão parece ter entendido isso.
Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale”. É “Fale, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis.
Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada” (grifo meu). Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até... charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados – um deles com granadas! - nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos” – e ela sabe disso).
Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro de ontem, eu não sou Charlie. No twitter, um movimento – muito menor do que o #JeSuisCharlie – começa a surgir. Ele fala do policial, muçulmano, que morreu defendendo a “liberdade de expressão” para os cartunistas, do Charlie Hebdo, ofenderem-no. Ele representa a enorme maioria da comunidade islâmica, que mesmo sofrendo ataques dos cartunistas franceses, mesmo sofrendo o ódio diário dos xenófobos e islamófobos, repudiaram o ataque. Je ne suis pas Charlie. Je suis Ahmed.
Arteeblog: Análise de “O Pensador” de Auguste Rodin

RENOIR NOS DEIXOU ESSE SIMBOLO, POIS PRECISAMOS PENSAR E NÃO FALAR OU FAZER BOBAGENS!!!!!

CHARLI HEBDO EDIÇÃO - UM OUTRO OLHAR SOBRE O TERRORISMO NO "CHARLIE HEBDO"

Eu não sou Charlie, "je ne suis pas Charlie"

10/01/2015
Há muita confusão acerca do atentado terrorista em Paris, matando vários cartunistas. Quase só se ouve um lado e não se buscam as raízes mais profundas deste fato condenável mas que exige uma interpretação que englobe seus vários aspectos ocultados pela midia internacional e pela comoção legítima face a um ato criminoso. Mas ele é uma resposta a algo que ofendia milhares de fiéis muçulmanos. Evidentemente não se responde com o assassinato. Mas também não se devem criar as condições psicológicas e políticas que levem a alguns radicais a lançarem mão de meios reprováveis sobre todos os aspectos. Publico aqui um texto de um padre que é teólogo e historiador e conhece bem a situação da França atual. Ele nos fornece dados que muitos talvez não os conheçam. Suas reflexões nos ajudam a ver a complexidade deste anti-fenômeno com suas aplicações também à situação no Brasil: Lboff
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Eu condeno os atentados em Paris, condeno todos os atentados e toda a violência, apesar de muitas vezes xingar e esbravejar no meio de discussões, sou da paz e me esforço para ter auto controle sobre minhas emoções…
Lembro da frase de John Donne: “A morte de cada homem diminui-me, pois faço parte da humanidade; eis porque nunca me pergunto por quem dobram os sinos: é por mim”. Não acho que nenhum dos cartunistas “mereceu” levar um tiro, ninguém o merece, acredito na mudança, na evolução, na conversão. Em momento nenhum, eu quis que os cartunistas da Charlie Hebdo morressem. Mas eu queria que eles evoluíssem, que mudassem… Ainda estou constrangido pelos atentados à verdade, à boa imprensa, à honestidade, que a revista Veja, a Globo e outros veículos da imprensa brasileira promoveram nesta última eleição.
A Charlie Hebdo é uma revista importante na França, fundada em 1970, é mais ou menos o que foi o Pasquim. Isso lá na França. 90% do mundo (eu inclusive) só foi conhecer a Charlie Hebdo em 2006, e já de uma forma bastante negativa: a revista republicou as charges do jornal dinamarquês Jyllands-Posten (identificado como “Liberal-Conservador”, ou seja, a direita europeia). E porque fez isso? Oficialmente, em nome da “Liberdade de Expressão”, mas tem mais…
O editor da revista na época era Philippe Val. O mesmo que escreveu um texto em 2000 chamando os palestinos (sim! O povo todo) de “não-civilizados” (o que gerou críticas da colega de revista Mona Chollet (críticas que foram resolvidas com a demissão sumaria dela). Ele ficou no comando até 2009, quando foi substituído por Stéphane Charbonnier, conhecido só como Charb. Foi sob o comando dele que a revista intensificou suas charges relacionadas ao Islã, ainda mais após o atentado que a revista sofreu em 2011…
A França tem 6,2 milhões de muçulmanos. São, na maioria, imigrantes das ex-colônias francesas. Esses muçulmanos não estão inseridos igualmente na sociedade francesa. A grande maioria é pobre, legada à condição de “cidadão de segunda classe”, vítimas de preconceitos e exclusões. Após os atentados do World Trade Center, a situação piorou.
Alguns chamam os cartunistas mortos de “heróis” ou de os “gigantes do humor politicamente incorreto”, outros muitos os chamam de “mártires da liberdade de expressão”. Vou colocar na conta do momento, da emoção. As charges polêmicas do Charlie Hebdo, como os comentários políticos de colunistas da Veja, são de péssimo gosto, mas isso não está em questão. O fato é que elas são perigosas, criminosas até, por dois motivos.
O primeiro é a intolerância. Na religião muçulmana, há um princípio que diz que o Profeta Maomé não pode ser retratado, de forma alguma. Esse é um preceito central da crença Islâmica, e desrespeitar isso desrespeita todos os muçulmanos. Fazendo um paralelo, é como se um pastor evangélico chutasse a imagem de Nossa Senhora para atacar os católicos…Qual é o objetivo disso? O próprio Charb falou: “É preciso que o Islã esteja tão banalizado quanto o catolicismo”. “É preciso” porquê? Para quê?
Note que ele não está falando em atacar alguns indivíduos radicais, alguns pontos específicos da doutrina islâmica, ou o fanatismo religioso. O alvo é o Islã, por si só. Há décadas os culturalistas já falavam da tentativa de impor os valores ocidentais ao mundo todo. Atacar a cultura alheia sempre é um ato imperialista. Na época das primeiras publicações, diversas associações islâmicas se sentiram ofendidas e decidiram processar a revista. Os tribunais franceses, famosos há mais de um século pela xenofobia e intolerância (ver Caso Dreyfus), como o STF no Brasil, que foi parcial nas decisões nas últimas eleições e no julgar com dois pesos e duas medidas casos de corrupção de políticos do PSDB ou do PT, deram ganho de causa para a revista.
Foi como um incentivo. E a Charlie Hebdo abraçou esse incentivo e intensificou as charges e textos contra o Islã e contra o cristianismo, se tem dúvidas, procure no Google e veja as publicações que eles fazem, não tenho coragem de publicá-las aqui…
Mas existe outro problema, ainda mais grave. A maneira como o jornal retratava os muçulmanos era sempre ofensiva. Os adeptos do Islã sempre estavam caracterizados por suas roupas típicas, e sempre portando armas ou fazendo alusões à violência, com trocadilhos infames com “matar” e “explodir”…). Alguns argumentam que o alvo era somente “os indivíduos radicais”, mas a partir do momento que somente esses indivíduos são mostrados, cria-se uma generalização. Nem sempre existe um signo claro que indique que aquele muçulmano é um desviante, já que na maioria dos casos é só o desviante que aparece. É como se fizéssemos no Brasil uma charge de um negro assaltante e disséssemos que ela não critica/estereotipa os negros, somente aqueles negros que assaltam…
E aí colocamos esse tipo de mensagem na sociedade francesa, com seus 10% de muçulmanos já marginalizados. O poeta satírico francês Jean de Santeul cunhou a frase: “Castigat ridendo mores” (costumes são corrigidos rindo-se deles). A piada tem esse poder. Mas, as piadas são sempre preconceituosas, ela transmite e alimenta o preconceito. Se ela sempre retrata o árabe como terrorista, as pessoas começam a acreditar que todo árabe é terrorista. Se esse árabe terrorista dos quadrinhos se veste exatamente da mesma forma que seu  vizinho  muçulmano,  a  relação  de   identificação--projeção é criada mesmo que inconscientemente. Os quadrinhos, capas e textos da Charlie Hebdo promoviam a Islamofobia. Como toda população marginalizada, os muçulmanos franceses são alvo de ataques de grupos de extrema-direita. Esses ataques matam pessoas. Falar que “Com uma caneta eu não degolo ninguém”, como disse Charb, é hipócrita. Com uma caneta se prega o ódio que mata pessoas…
Uma das defesas comuns ao estilo do Charlie Hebdo é dizer que eles também criticavam católicos e judeus… Se as outras religiões não reagiram á ofensa, isso é um problema delas. Ninguém é obrigado a ser ofendido calado.
    “Mas isso é motivo para matarem os caras!?”. Não! Claro que não! Ninguém em sã consciência apoia os atentados. Os três atiradores representam o que há de pior na humanidade: gente incapaz de dialogar. Mas é fato que o atentado poderia ter sido evitado. Bastava que a justiça tivesse punido a Charlie Hebdo no primeiro excesso, assim como deveria/deve punir a Veja por suas mentiras. Traçasse uma linha dizendo: “Desse ponto vocês não devem passar”.
“Mas isso é censura”, alguém argumentará. E eu direi, sim, é censura. Um dos significados da palavra “Censura” é repreender. A censura já existe. Quando se decide que você não pode sair simplesmente inventando histórias caluniosas sobre outra pessoa, isso é censura. Quando se diz que determinados discursos fomentam o ódio e por isso devem ser evitados, como o racismo ou a homofobia, isso é censura. Ou mesmo situações mais banais: quando dizem que você não pode usar determinado personagem porque ele é propriedade de outra pessoa, isso também é censura. Nem toda censura é ruim…
Deixo claro que não estou defendendo a censura prévia, sempre burra. Não estou dizendo que deveria ter uma lista de palavras/situações que deveriam ser banidas do humor. Estou dizendo que cada caso deveria ser julgado. Excessos devem ser punidos. Não é “Não fale!”. É “Fale!, mas aguente as consequências”. E é melhor que as consequências venham na forma de processos judiciais do que de balas de fuzis ou bombas.
Voltando à França, hoje temos um país de luto. Porém, alguns urubus são mais espertos do que outros, e já começamos a ver no que o atentado vai dar. Em discurso, Marine Le Pen declarou: “a nação foi atacada, a nossa cultura, o nosso modo de vida. Foi a eles que a guerra foi declarada”. Essa fala mostra exatamente as raízes da islamofobia. Para os setores nacionalistas franceses (de direita, centro ou esquerda), é inadmissível que 10% da população do país não tenha interesse em seguir “o modo de vida francês”. Essa colônia, que não se mistura, que não abandona sua identidade, é extremamente incômoda. Contra isso, todo tipo de medida é tomada. Desde leis que proíbem imigrantes de expressar sua religião até… charges ridicularizando o estilo de vida dos muçulmanos! Muitos chargistas do mundo todo desenharam armas feitas com canetas para homenagear as vítimas. De longe, a homenagem parece válida. Quando chegam as notícias de que locais de culto islâmico na França foram atacados, um deles com granadas!, nessa madrugada, a coisa perde um pouco a beleza. É a resposta ao discurso de Le Pen, que pedia para a França declarar “guerra ao fundamentalismo” (mas que nos ouvidos dos xenófobos ecoa como “guerra aos muçulmanos”, e ela sabe disso).
Por isso tudo, apesar de lamentar e repudiar o ato bárbaro do atentado, eu não sou Charlie. Je ne suis pas Charlie.

Teologia da libertação por um de seus fundadores Em "Ética"
Educar para a celebração da vida e da Terra Em "Ética"
from Ética, Educação, Espiritualidade, História, Política, Religião
Para se entender o terrorismo contra o Charlie Hebbo de Paris
Eu não sou Charlie, je ne suis pas Charlie: Pe. Antonio Piber



251 Comentários leave one →
  1. Rosario Braga PERMALINK
    10/01/2015 16:10
    Ninguém de bom senso pode defender o ataque, porem respeito ao outro e de bom tom e evita atitudes extremas. Vi varias charges do jornal todas atentatórias a dignidade dos mulçumanos!
  2. Dimitrios Bozinis PERMALINK
    10/01/2015 16:17
    Como sempre, o mais difícil é traçar a linha entre o certo e o errado, entre o censurável e o não cernsurável. Os padrões morais e éticos de cada sociedade são proprios dela mesmo, não podemos aplicá-los igualmente à todas as culturas e agir de acordo com a cultura de cada um. Podemos discordar sem recorrer a violência, a opinião da maioria pauta sempre o padrão moral de cada sociedade.
  3. paulo ferraz alves PERMALINK
    10/01/2015 16:17
    prefiro recolher-me a minha insignificância…..
  4. feyruz PERMALINK
    10/01/2015 16:19
    com respeito a que todos aqui escreveram suas opinioes ! o comentario de renaud pra quem entende de estopin para a guerra, começar na frança quando dizem que a al qaeda que por entendimento de muitos sabemos que quem fundou a al qaeda foram os eua . e de que os atentados que aconteceram nos eua em 2001 foram orquestradas por eua dando o motivo para eles (eua) invadirem os paises islamicos e fazerem o que bem entenderem ! e com esse atentado tambem organizado por celulas da al Qaeda foi tambem mandada para futricar o povo islamico e se começar a 3 guerra ! de algum lugar e motivo eles tinha que fazer valer o começo da guerra ! e isso nao vai ficar por isso mesmo podem ter certeza disso! os interessados com a guerra sao os da elite global que querem dizimar as massas e usar como bode espiatorio o isla! quem escreveu aquela charge sabia que ia dar nisso e muito mais! esssa e a minha opiniao ! com respeito a todos !
  5. 10/01/2015 16:21
    Caros Amigos, esse texto foi escrito pelo meu irmão, Rafael Saldanha, e publicado no seu blog na quinta-feira. Segue o original:http://emtomdemimimi.blogspot.com.br/2015/01/je-ne-suis-pas-charlie.html



            Fiquei envergonhada com os comentários, só os transcrevi até o que menciona o texto do irmão e transcrevi-o na próxima página, para que quem tem bom senso, leia e reflita, não são necessárias as agressões, pois não é para isso que se escreve. Escreve-se imaginando que pessoas inteligentes e letradas, terão capacidade de interpretação e de reflexão e tirarão suas próprias conclusões, acrescentarão conhecimentos, formarão suas opiniões e nada mais.
         Aquele que se sente ofendido, tenho pena, pois denota um intelecto pouco estimulado...
           Ler e ouvir enriquecem!
           Quanto à mania dos homens, acharem que podem criar uma massa burra de seres, devo decepcioná-los e lembrá-los, somos indivíduos, lembram disso? Indivisíveis, seremos sempre unos e diferentes, isso é o que torna a humanidade tão rica e maravilhosa. Que graça teria ir para outro país se tudo fosse exatamente igual ao que deixamos, nem as cidades do mesmo país são iguais. VIVA A DIFERENÇA!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

CORTE MENSAL PROVISÓRIO DO GOVERNO BRASILEIRO NO ORÇAMENTO

Decre
to faz corte mensal provisório de R$ 1,9 bilhão no Orçamento

Medida vale até que Congresso aprove projeto de lei para este ano. Corte em despesas 'não obrigatórias' foi de 30%, segundo o decreto.
Do G1, em São Paulo
08/01/2015 07h50 - Atualizado em 08/01/2015 11h36
Decreto faz corte mensal provisório de R$ 1,9 bilhão no Orçamento

    Medida vale até que Congresso aprove projeto de lei para este ano. Corte em despesas 'não obrigatórias' foi de 30%, segundo o decreto.
     Do G1, em São Paulo
     O governo publicou no "Diário Oficial da União" desta quinta--feira (8) o decreto sobre a execução do seu Orçamento. Ficou estabelecido o corte de 33% em relação ao valor previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015. Com isso, o bloqueio mensal de gastos do governo será de R$ 1,9 bilhão, segundo o Ministério do Planejamento. 
     Esse corte é provisório, já que o decreto tem validade até que o Congresso aprove o Orçamento da União para este ano. A expectativa é de que a votação ocorra até março.
     No decreto desta quinta, o governo separou os gastos em dois tipos: os obrigatórios e os não obrigatórios. No caso das despesas obrigatórias, pode ser gasto mensalmente o limite de 1/12 do valor que está no projeto de lei.
    No caso dos gastos não prioritários, ou seja, os que podem ser adiados, o limite foi reduzido de 1/12 para 1/18, por mês (33%), do que está no projeto do Orçamento. Neste grupo entram, por exemplo, despesas administrativas, como passagens aéreas e diárias. 
Ministério e órgão do governoCorte por mês, em milhõesQuanto será gasto (1/18), em milhões
EducaçãoR$ 586,83R$ 1.173,66
DefesaR$ 156,46R$ 312,93
CidadesR$ 144,42R$ 288,85
Desenvolvimento SocialR$ 139,88R$ 279,76
Ciência e TecnologiaR$ 130,88R$ 261,77
FazendaR$ 116,84R$ 233,68
JustiçaR$ 72,05R$ 144,10
PrevidênciaR$ 48,17R$ 96,34
Agricultura e pecuáriaR$ 47,52R$ 95,06
Desenvolvimento agrárioR$ 43,88R$ 87,75
TransportesR$ 32,33R$ 64,65
Desenvolvimento, Indústria e Comércio ExteriorR$ 29,24R$ 58,48
Relações exterioresR$ 29,23R$ 58,46
SaúdeR$ 27,14R$ 54,27
Meio AmbienteR$ 24,77R$ 49,54
Trabalho e EmpregoR$ 23,27R$ 46,55
PresidênciaR$ 23,26R$ 46,52
CulturaR$ 22,62R$ 45,24
Secretaria da Aviação CivilR$ 21,84R$ 43,69
Minas e EnergiaR$ 20,63R$ 41,27
PlanejamentoR$ 20,47R$ 40,94
EsporteR$ 18,19R$ 36,37
Integração NacionalR$ 13,22R$ 26,43
ComunicaçõesR$ 8,96R$ 17,92
TurismoR$ 8,37R$ 16,74
Advocacia-Geral da UniãoR$ 7,59R$ 15,10
PortosR$ 4,95R$ 9,90
PescaR$ 4,56R$ 9,12
Secretaria de Direitos HumanosR$ 3,16R$ 6,33
Políticas para MulheresR$ 2,45R$ 4,89
Controladoria Geral da UniãoR$ 1,89R$ 3,77
Micro e Pequena EmpresaR$ 1,55R$ 3,11
Secretaria de Assuntos EstratégicosR$ 1,34R$ 2,68
Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade RacialR$ 0,74R$ 1,49
Vice-PresidênciaR$ 0,15R$ 0,30

 "Essa medida se faz necessária frente às incertezas sobre a evolução da economia, o cenário fiscal e o calendário do Poder Legislativo, que só retomará suas atividades a partir de fevereiro", diz o Planejamento, em nota.
O que está garantido
De acordo com o decreto, os órgãos, os fundos e as entidades do Poder Executivo que integram os Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da União só poderão empenhar as dotações orçamentárias, que estiverem no projeto de Lei, destinadas ao atendimento de:
- Despesas com obrigações constitucionais ou legais da União relacionadas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 2015;
- Bolsas de estudo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea);  bolsas de residência médica e do Programa de Educação Tutorial (PET), bolsas e auxílios educacionais dos programas de formação do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), bolsas para ações de saúde da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) e Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), e Bolsa-Atleta e bolsas do Programa Segundo Tempo;
- Pagamento de estagiários e de contratações temporárias
-   Ações de prevenção a desastres classificadas na sub-função Defesa Civil;
- Formação de estoques públicos vinculados ao programa de garantia dos preços mínimos;
- Realização de eleições e continuidade da implantação do sistema de automação de identificação biométrica de eleitores pela Justiça Eleitoral;
- Importação de bens destinados à pesquisa científica e tecnológica, no valor da cota fixada no exercício financeiro anterior pelo Ministério da Fazenda;
- Concessão de financiamento ao estudante;
- Ações em andamento decorrentes de acordo de cooperação internacional com transferência de tecnologia;

- Dotações destinadas à aplicação mínima em ações e serviços públicos de saúde.
Expectativas
No início desta semana, segundo o blog da Cristiana Lôbo, o governo preparava um corte "drástico" no Orçamento em 2015, de cerca de R$ 68 bilhões. E a pretensão era estabelecer uma meta "ambiciosa" de economia de gastos (com passagens aéreas, diárias e também emendas parlamentares).
Ao mesmo tempo, informou, seria criado um comitê financeiro para decidir a gestão do gasto público. Haverá uma meta linear, mas a Comissão de Gestão do Gasto Público, formada pelos ministérios do Planejamento, Fazenda, Casa Civil e Controladoria-Geral da União poderá ampliar a economia mensal do governo.

O blog também dizia que o governo acreditava que, se fizesse o drástico ajuste fiscal neste ano, poderia começar a colher resultados a partir do ano que vem. Esse otimismo se dá com a retomada do crescimento nos Estados Unidos e em países da Europa e, ainda, com a queda do preço do petróleo (o Brasil é importador) e, ainda, com a oscilação do dólar no país, o que favorece as exportações e a produção agrícola.
Cortes nos gastos
Após ser confirmado como ministro da Fazenda no segundo mandato da presidente Dilma, Joaquim Levy defendeu, em entrevista no Palácio do Planalto no ano passado, cortes nos gastos públicos.

Na ocasião, ele chegou a dizer que a meta de superávit primário, a economia feita para pagar juros da dívida pública, deveria ser de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para todo o setor público (governo, estados e municípios) neste ano.


Para variar, tentem descobrir qual foi o Ministério que sofreu o maior corte?

Acertou aquele que disse MEC!, pois é o único Ministério supérfluo, educação para um país é luxo, portanto descartável e lá vamos nós de novo, na contramão da evolução.
Povo intelectualmente evoluído é menos suscetível a ser ludibriado e, portanto a corrupção seria ínfima, mas povo pseudo-alfabetizado, ou como dizem analfabeto funcional, esse não vê uma melancia na frente do próprio nariz e com migalhas se satisfaz, pois não sabe de seu real potencial e como poderá ser peça chave para o seu país, ajudando-o a ser uma potencia não de corrupção e sim de valores dignos de nota: CULTURAIS, CIENTÍFICOS, TECNOLÓGICOS, INTELECTUAIS em decorrência disso teríamos: COEXISTÊNCIA PACÍFICA, PESSOAS ILIBADAS SERIA A TÔNICA NATURAL, E O ERRO SERIA A EXCEÇÃO, isso sim seria um país a ser olhado e copiado, não o recorde em malandragem, em ludibriar o próximo, não na nudez e exibicionismo, estimulando o turismo sexual e mostrando-se indignados com o fato do estrangeiro vir com esse intuito, que estranhamento é esse se somos nós mesmos que passamos a imagem de que o povo brasileiro é desfrutável? Que não damos condições de educação para competir no mercado e que como moeda de troca, só possuem os favores sexuais, já que não aprendem nada nas escolas que lhes dê suporte para sobreviver dignamente.
Deixemos de ser cínicos e vamos mudar o nosso foco, vamos olhar a educação, como o veio de ouro essencial à nossa evolução sócio-econômico-cultural.
A EXAME, de 24/12/2014 vem com um artigo que me sinalizou como real em relação à preocupação com a educação, intitula-se TODOS TÊM ALGO A ENSINAR.
Se de fato se inicia um movimento nacional em prol da educação, seria espetacular! As empresas necessitam de pessoas de competência e a educação não as está pondo no mercado, pois o vício de jogar com o dinheiro público é mais importante, do que a educação. È mais importante ganhar mais do que investir mais e se me avaliam pelo que aprovo e não pelos conhecimentos que adquirem meus alunos é mais fácil pressionar as escolas à aprovação 100% do que a ter a responsabilidade político-social de ensiná-los e gabaritá-los, como merecem para se prepararem para os desafios da sociedade.
Ouço muito dizer que os alunos de hoje não querem nada, que o ensino de hoje está ultrapassado, sou professora, posso usar os modernos recursos, mas posso recorrer aos antigos, pois não é por que surgem coisas novas, que devo descartar as antigas. Pois bem passei o ano passado trabalhando no Programa Mais Educação, que já está com novo nome, mas isso não importa, o que interessa é que os trabalhei, visando basicamente o raciocínio lógico, habilidade démodé, mas como evoluíram, como as matérias lhes ficaram mais acessíveis, vieram´me agradecer, sem acreditar que haviam conseguido entender os enunciados das provas e que haviam melhorado 100% ou até mais em suas notas, mas fui atrás, pois sei que notas são maquiadas e procurei saber sobre eles e seu real progresso, garantiram-me que realmente haviam melhorado muito e que o progresso era real. Só foi necessário querer ensinar e motivá-los, essa motivação chama-se compreensão, compreenderam o porquê do que lhes era pedido.
Não sou excepcional, apenas me preocupo com os que estão sob a minha responsabilidade e creio que se decidi ensinar é para fazê-lo e nada mais.

Cada um que faça bem feito o seu papel!