sábado, 1 de novembro de 2014

ANÔNIMO - A CHUVA SAGRADA - CONTO INDU

A CHUVA SAGRADA
CONTO HINDU
INTERROGAPOSTAS: ANÔNIMO - A CHUVA SAGRADA - CONTO INDU
OS grandes mestres espirituais indianos também usavam do humor para passar seus ensinamentos. Eis um exemplo: Na cidade de Bhopal existia um ashram muito famoso. Num dia chuvoso, o mestre de tal comunidade espiritual avistou pela janela um dos seus alunos correndo para escapar da chuva e gritou:
- Ingrato! Por que você corre para escapar da chuva!? Não sabe que foi Deus que mandou essa benção para seus filhos? A água do céu é sagrada, aproveite-a!
O aluno envergonhado, parou de correr e, encharcado, chegou à sua casa. Não deu outra, um resfriado fortíssimo abateu o discípulo do mestre.
ABRAÇO NA CHUVA. CASAL. ROMANCE. | Imagens animadas gif, Imagens ...
Passados alguns dias, o aluno, já recuperado, estava na janela do seu quarto. Uma chuva forte caía do céu quando, de repente, avistou o mestre correndo para escapar da chuva. Ele não agüentou e gritou:
- Mestre, por que corre? Não sabe que a água do céu é sagrada?
O mestre localizou a voz, reconheceu o aluno e o fuzilou com os olhos, dizendo:
- Seu insolente, você não percebe que estou correndo exatamente para não profanar esta água sagrada com os meus pés sujos?!

fim
Será que o mestre é sincero? Ou usa as palavras a seu bel prazer para benefício próprio?!
Muitas pessoas que se consideram espertas o fazem. Serão realmente espertos ou idiotas?
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sábado, 18 de outubro de 2014

ANUNCIAN FESTIVAL INTERNACIONAL DE LA CULTURA MAYA 2014 - ME PARECIÓ IMPORTANTE DIVULGARSELO


Anuncian Festival internacional de la Cultura Maya 2014


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Agregó que este evento permitirá continuar con la difusión del proyecto cultural que hace el gobierno de Yucatán a nivel internacional, mismo que se traduce con recursos económicos que recibe de manera directa la población de esta península.
El diputado federal Mauricio Sahui (PRI) recordó que apenas concluyó, en la ciudad de Los Ángeles, Estados Unidos, un festival previo donde se incluyó exposiciones de la cultura Maya, presentaciones musicales y muestra gastronómica.
“La intensión es la de difundir con amplitud la riqueza cultural de nuestro país, de manera particular las raíces etnológicas de la península mexicana”, agregó el legislador priista.
Además, explicó que Yucatán ofrece en la actualidad “un buen nivel para las inversiones nacionales y extranjeras en todas las áreas productivas económicas, situación que no hay que dejar perder”.
Agregó que a este evento, estarán también presentes los gobernadores de Campeche, Fernando Ortega, de Quintana Roo, Roberto Borge, de Tabasco, Arturo Núñez, de Chiapas, Manuel Velasco, así como la secretaria general del CEN del PRI, Ivonne Ortega, y el senador Emilio Gamboa Patrón.
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“Yucatán es un estado que lo tiene todo, la consolidación del Tren Transpeninsular que tendrá una inversión superior a los 16 mil millones de pesos y permitirá un repunte del sureste mexicano”, sostuvo en entrevista.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

HANNAH ARENDT - É SEMPRE BOM CONHECER PESSOAS INTELIGENTES

As Coisas Efémeras são as Mais Necessárias


Das coisas tangíveis, as menos duráveis são as necessárias ao próprio processo da vida. O seu consumo mal sobrevive ao acto da sua produção; no dizer de Locke, todas essas «boas coisas» que são «realmente úteis à vida do homem», à «necessidade de subsistir», são «geralmente de curta duração, de tal modo que - se não forem consumidas pelo uso - se deteriorarão e perecerão por si mesmas». 
Após breve permanência neste mundo, retomam ao processo natural que as produziu, seja através de absorção no processo vital do animal humano, seja através da decomposição; e, sob a forma que lhes dá o homem, através da qual adquirem um lugar efémero no mundo das coisas feitas pelas mãos do homem, desaparecem mais rapidamente que qualquer outra parcela do mundo. 

Escravo de Si Mesmo

A suposição de que a identidade de uma pessoa transcende, em grandeza e importância, tudo o que ela possa fazer ou produzir é um elemento indispensável da dignidade humana. (...) Só os vulgares consentirão em atribuir a sua dignidade ao que fizeram; em virtude dessa condescendência serão «escravos e prisioneiros» das suas próprias faculdades e descobrirão, caso lhes reste algo mais que mera vaidade estulta, que ser escravo e prisioneiro de si mesmo é tão ou mais amargo e humilhante que ser escravo de outrem. 

A Pluralidade Humana

A pluralidade humana, condição básica da acção e do discurso, tem o duplo aspecto da igualdade e diferença. Se não fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus antepassados, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades das gerações vindouras. Se não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão a existir, os homens não precisariam do discurso ou da acção para se fazerem entender. Com simples sinais e sons poderiam comunicar as suas necessidades imediatas e idênticas.
Ser diferente não equivale a ser outro - ou seja, não equivale a possuir essa curiosa qualidade de «alteridade», comum a tudo o que existe e que, para a filosofia medieval, é uma das quatro características básicas e universais que transcendem todas as qualidades particulares. A alteridade é, sem dúvida, um aspecto importante da pluralidade; é a razão pela qual todas as nossas definições são distinções e o motivo pelo qual não podemos dizer o que uma coisa é sem a distinguir de outra. 



Na sua forma mais abstracta, a alteridade está apenas presente na mera multiplicação de objectos inorgânicos, ao passo que toda a vida orgânica já exibe variações e diferenças, inclusive entre indivíduos da mesma espécie. Só o homem, porém, é capaz de exprimir essa diferença e distinguir-se; só ele é capaz de se comunicar a si próprio e não apenas comunicar alguma coisa - como sede, fome, afecto, hostilidade ou medo. No homem, a alteridade, que ele tem em comum com tudo o que existe, e a distinção, que ele partilha com tudo o que vive, tornam-se singularidades e a pluralidade humana é a paradoxal pluralidade dos seres singulares. 

Hannah Arendt, in 'A Condição Humana'

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

COMO LIDAR COM CRIANÇAS ECO-TIRÂNICAS - IÇAMI TIBA

COMO LIDAR COM CRIANÇAS "ECO-
-TIRÂNICAS"
Coluna Pais e Professores

A vida não começa quando se nasce. Existe uma gravidez prévia e o preparo dos pais antes da gravidez. Nem a vida termina quando o que nasceu morre. Naturalmente ele deixa filhos e netos. Assim a vida continua e a humanidade caminha.
O cérebro humano não nasce pronto e continua se desenvolvendo por quase três décadas, mas continua aprendendo o resto da vida, desde que não adoeça ou sofra um acidente precocemente. 
O período em que o cérebro mais se desenvolve é nos primeiros anos de vida da criança. Esta nasce sem um mínimo de conhecimento racional e consegue absorver o mundo que o cerca em pouco tempo. Basta verificar a dificuldade que um adulto tem para aprender uma língua nova, adquirir um comportamento novo ou largar um vício já arraigado dentro dele. Este potencial incrível de aprendizado está sendo desperdiçado pela nossa sociedade.

Outros desperdícios

Os maiores desperdiçadores são pais: na linha de pobreza que mal têm o que comer; analfabetos; dependentes químicos; psicóticos; neuróticos graves; deficiência mental grave; ausentes no convívio com as crianças; adolescentes com gravidez precoce; mãe solteira sem ajuda da família etc. Estes não têm condições de oferecer os cuida- dos mínimos necessários em saúde nem promover estímulos necessários para um bom desenvolvimento dos seus filhos, que chegam à escola já em desvantagem nas áreas cognitiva e emocional em relação a outras crianças melhor assistidas. 
Esta desvantagem vai se consagrando com a idade e propiciam repetências e abandonos escolares que, por sua vez, fortalecem as diferenças sociais, a perpetuação da ignorância e da pobreza, da violência social, dos analfabetos e analfabetos funcionais e o desemprego em um país que precisa de empregados. A atual escola sozinha e os pais conseguem diminuir, mas não reverter esta desvantagem. 

Bons pais

   Famílias  desenvolvem  filhos  competentes, com  boa  auto--estima e integrados numa sociedade competitiva quando os pais têm cultura e educação, leem em voz alta para os seus filhos, fornecem estímulos lógicos e desafios com jogos educativos, não os negligenciam nas mãos de terceiros (creches, babás, irmãos com pequenas diferenças de idade, funcionários outros etc.), acompanham suas tarefas diárias (sim, crianças têm suas obrigações adequadas às suas idades), corrigem os seus erros e cobram o que lhes foi ensinado (fazendo-os arcar com as consequências do seu comportamento inadequado). É a diferença existente entre a criação silvestre (largada) e educação orquestrada (integrada) dos filhos.
Assim, o investimento na educação das crianças tem que ser iniciado com os seus próprios pais e/ou responsáveis e professores da primeira infância em grande escala. 
Cenas domésticas que contribuem para o melhor entendimento do que expus são muito comuns. Escolhi a das crianças eco-tirânicas em relação aos seus pais. Tirania é o método preferido dos incompetentes para reinarem. Dê poder a um ignorante que ele mostrará a ignorância no poder. Se um filho é criado como um príncipe herdeiro, e seus pais se submetem aos seus caprichos ele abusará da tirania para impor seus conhecimentos e vontade. 
São filhos que aprendem na escola o valor do consumo da água potável e da luz, tornam-se tiranos na sua aplicação em casa. Tornam-se eco-chatos e eco-tiranos, impondo o que sabem em vez de educar e ensinar os seus pais naquilo que estes não sabem. Não respeitam a  autoridade educativa dos pais. Sem reconhecimento nem respeito ao próximo não há educação. 

Educação e respeito

Não é a submissão dos educadores aos caprichos, destemperos e desmandos dos filhos que fará deles cidadãos éticos, mas sim investindo na sua educação.
James Heckman, americano, prêmio Nobel de Economia de 2000 afirmou que "para cada dólar aplicado, a sociedade ganhou nove", baseado em um estudo feito em educação na primeira infância em Michigan, Estados Unidos.
O Brasil, estando entre os dez maiores PIBs do mundo, tem como recuperar sua educação que está entre os piores do mundo, se de fato ela receber uma real e ética priorização pública e familiar. 

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

FERNANDO SOARES CAMPOS - SÉRIO COLÓQUIO FUTRIQUEIRO NO BAR SÃO JORGE -

Sério colóquio futriqueiro no Bar São Jorge
Brasil
23 de junho de 2013 - 16h36
Fernando Soares:
Os pauteiros da PressAA, saíram ontem do Bar São Jorge, um tanto borrachos, e voltaram para a redação. Minutos depois, o proprietário do bar ligou para o editor-assaz-atroz-chefe, e contou que, logo que os gazeteiros saíram, dois jornalistas sérios entraram no boteco e desenrolaram um colóquio futriqueiro. Aí, bateu pra nós, pra nós poder bater pra nossa a patota. 
Por Fernando Soares Campos*, no Agência Assaz Atroz

 Ainda ontem, telefonaram para nossa redação, dando uma dica perspicaz:
“Tinha manifestante usando a máscara do V, Guy Fawkes, e gritava "Não à Violência!". Acho que uma coisa não bate com a outra. Não é bem assim que o personagem acha que as coisas seriam mudadas...”
(Não entendemos bem o que o rapaz quis dizer, mas vale o registro)
Outro ligou e disse:
“Escuta: vocês perceberam que, nos primeiros momentos das manifestações, os telejornais chamavam os vândalos de vândalos mesmo. Logo passaram a chamá-los de minorias radicas. E assim ficaram falando durante muitos dias. Agora passaram a chamá-los pelo verdadeiro nome: bandidos! Alternando com baderneiros. Acho que, se o movimento se reverter em favor do governo, eles vão chamar os caras de incompetentes! O que vocês acham...?”
(A linha caiu)
Nós não achamos nada. Pelo contrário, perdemos celulares, uma mini câmera, e até a Brasília amarela da nossa equipe de reportagem foi esculachada.
Mas vamos ao bate-papo que rolou no Bar São Jorge depois de nossa saída:
Escrevinhador: ― A marcha em São Paulo, nesta quinta-feira, foi convocada pelo MPL, Movimento Passe Livre, para comemorar a vitória obtida com a redução nas tarifas de ônibus e metrô. Era pra ser uma festa. Virou mais um sintoma preocupante do avanço da extrema-direita nas ruas. Um manifestante mordeu a bandeira do PT. Outras bandeiras foram queimadas. Nenhuma era de partidos de direita, como PSDB ou DEM. Não. O ódio “anti-partido” tem um sen- tido muito claro. 
Náufrago: ― "A revolução não é o convite para um jantar, a composição de uma obra literária, a pintura de um quadro ou a confecção de um bordado, ela não pode ser assim tão refinada, calma e delicada, tão branda, tão afável e cortês, comedida e generosa. A revolução é uma insurreição, é um ato de violência pelo qual uma classe  derruba a outra." Não  sou  fã incondicional do velho Mao Tsé--Tung, mas ele tinha lá seus momentos. Esta frase é uma pérola.
Escrevinhador: ― Eu estava lá. Vi de perto. Como já acontecera em outras manifestações nas últimas duas semanas, grupos organizados e que se dizem “apartidários”, o que, aliás, é um direito de qualquer cidadão, tentaram impedir que os partidos políticos e as organizações sociais erguessem suas bandeiras na avenida Paulista. Agrediram militantes do PSTU, xingaram a turma do PSOL e ameaçaram a militância do PT. Na minha frente, um homem com capacete de motoqueiro e jaqueta de couro tentou bater numa senhora com mais de 60 anos, que carregava uma bandeira vermelha. “O PT não vai sair desse quarteirão, não vamos deixar o PT pisar aqui, é a nossa avenida”, o homem gritava descontrolado.
Náufrago: ― Muitos companheiros estão assustados com o rumo que os protestos de rua tomaram em Sampa. Como a participação da direita fardada foi catastrófica, agora é a direita de jeans que reage ao movimento, com mais argúcia.
Escrevinhador: ― Acho que há bons motivos, sempre, para criticar os partidos. Faz parte da Democracia. O PT, especialmente, pode ser criticado por ter cedido demais aos “acertos de gabinete”. Mas querer impedir, na marra, que partidos e organizações sociais participem de um ato público não tem outro nome: fascismo. 
Náufrago: ― E, também, com uma aparente forcinha do PT. Não dá para acreditarmos que o Rui Falcão mandasse militantes emban- deirados para o olho do furacão sem prever que seriam hostilizados. Meu palpite é bem outro: ele queria que acontecesse exatamente o que aconteceu.
Escrevinhador: ― Não é nenhum exagero. Quem estava lá na Paulista sentiu de perto. O clima de ódio era tão grande que a mani- festação adotou um formato curioso: em uma faixa da avenida, mar- charam o MPL, seguido por UJS, UNE, MST e por militantes de par- tidos como PT, PSOL, PSTU e PCO, estes três bastante críticos em re- lação a Dilma e ao PT.

Bate-papo editado pelos pauteiros da PressAA.
Bar São Jorge: “Salta um coquetel molotov estupidamente...”
Os periodistas da PressAA, de saco cheio, cansados de bater cartão de ponto e receber vale em vez de pagamento integral, e não aceitando as desculpas do barão proprietário desta desorganização pasquineira, o qual se prepara para deflagrar um passaralho na redação, alegando que uma crise financeira e econômica assola o Planeta... assim, aderiram aos protestos das multidões e passaram a trabalhar sob regime de greve.
Na hora do almoço, em vez de marmita, os atrozes jornalistas decidiram tentar mais um pendura no Bar São Jorge, onde costumam jogar conversa fora nos happy hour das sextas-feiras.
O proprietário do botequim recebeu os gazetistas escabreado...
...mas acabou cedendo às súplicas dos choramingas.
Sentados e degustando o couvert composto de pão com mantei- ga e sanduíche de mortadela, rolou um pressuroso papiar dos periodistas pauteiros da PressAA.
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― Então, já chegaram à conclusão sobre a verdadeira origem e o destino dos protestos que abundam e medram... e bota abunda e medra nisso... pelas ruas das principais cidades do Brasil?
― Nós sabemos que essa coisa começou mesmo por causa das elevadas tarifas dos transportes coletivos. Mas agora perderam o controle devido à imensa retirada dos direitos sociais da população nos últimos anos.
― Retirada de direitos sociais?! E desde quando a população desfrutou de plenos direitos sociais?
― Ora, com a transferência da corte portuguesa pra cá, D. João VI abriu os portos às nações amigas, criou o Banco do Brasil pra inglês sacar, mandou construir uma fábrica de pólvora, fundou a Bi- blioteca Nacional...
― É verdade! E, poucas décadas depois, depois de poucos séculos de chi- bata, a princesa angelical aboliu a escravidão.
― Mas não fez reforma agrária.
― Claro que não! Muitos jovens abolicionistas eram filhos dos barões escravagistas, eram herdeiros de latifúndios. Uma coisa é expressar gestos fra -ternais e tentar se redimir dos pecados originais. Outra é abrir mão do suado patrimônio da família, renunciar a heranças...
― Corta essa fita, salta pros dias de hoje. Vocês acham mesmo que o governo atual retirou os direitos sociais da população, como tem esquerdista quiliasta dizendo?
― É como o chapa aí falou: desde quando tivemos plenos direi- tos sociais?
― Bem ou mal, a segurança pública melhorou.
― Como assim? Não exagera, cara!
― Eu provo. Não faz muito tempo, os protestos de rua eram enfrentados pela polícia com chumbo de verdade. Agora, nas manifestações da classe média, usam balas de borracha. As armas de grosso calibre só podem ser utilizadas nas periferias, em ações de reintegração de posse de lotes favelados, ou no campo, contra índios e invasores de terra.
― Fala sério! Pára com essas gozações.
― Isso mesmo, vamos falar sério. Já que lembramos de D. João VI, lembrem-se também de que foi ele quem permitiu atividades de imprensa aqui em Pindorama.
― Pois é! Mas havia censura. Só se podia publicar a favor da realeza. O Correio Braziliense, que era rodado em Londres e enviado pra cá, recebia jabaculê para apoiar a monarquia.
― E nos últimos tempos não houve avanço no setor das comunicações? Não?! Não houve?!
― Houve sim. Agora, o governo tenta cooptar a imprensa destinando as verbas publicitárias para os barões do café-soçaite midiático-nativo, sediado em solo pátrio! Assim, estancou a sangria de divisas. O dinheiro fica aqui mesmo, enterra Brasilis.
― Só vai para os paraísos fiscais o caixa-dois, o por-fora, apesar de ser bufunfa afanada legalmente, através das brechas na legislação.
― Legal, cara! Legal, m’ermão, legal!
― É dessa forma que corporações detentoras de suportes midiáticos arranjam parceiros além-mar.
― Vamos dar um tempo nessas lorotas, vamos falar seriamente mesmo.
― Tudo bem. Então, alguém responda se for capaz: qual a principal reivindicação dos manifestantes, hoje, nas ruas de todo o Brasil?
― Essa é fácil: passe livre, sem precisar escalar a catraca.
― Tá frio...
― Saúde!
― Ué! Quem espirrou aqui?!
Tou falando de melhor atendimento nos hospitais e manicômios.
― Acho que é o engavetamento e sepultamento da peque trinta e sete...
― Despoluição do Tietê!
― Higienização dos aeroportos. Aumento das tarifas aéreas, a fim de que a ralé pare de viajar de avião.
― Vocês tão por fora... A principal reivindicação dos revoltosos é o barateamento da gasolina feita com o petróleo do pré-sal.
Tão é delirando. O que a turba enfurecida quer mesmo é a demonização das comunicações.
― Você quer dizer “democratização”, né?
― Não! É demonização mesmo. Não é demonizá-la amaldiçoando seus efeitos malignos, mas sim torná-la ainda mais demoníaca.
― Num tou te entendo.
― Vamos lá. Perdido no meio do turbilhão, havia um único cartaz com a inscrição: “Queremos a democratização dos meios de comunicação”. Assim mesmo, rimando.
― E então?! 
― E então? E então que os vândalos partiram pra cima do coitado que portava o cartaz, tomaram e tascaram fogo no pasquim. Foi aí que o âncora do telejornal deixou de lado a ridícula pieguice de dizer que a maioria é cândida, bonachona, e que os terroristas são minorias radicais... O cara perdeu as estribeiras e gritou furibundo:
“Era um terrorista com uma mochila preta nas costas! Mas os pacíficos manifestantes perderam a paciência com ele”.
O ar condicionado do Bar São Jorge está pifado há anos. O calor das fogueiras nas ruas irradiou-se até o interior do boteco, aumentando a temperatura a um nível insuportável. Um periodista já um tanto borracho gritou para o dono do boteco:
― Salta uma cerveja estupidamente...
Raimundo, o garçom rápido no gatilho, arremessou uma garrafa, que colidiu violentamente com a testa do freguês. Este se esborrachou no chão: Pluft! Estendido no meio do salão, o gazetista da PressAA completou:
― ...gelada, cara! Gelada!


Fernando Soares Campos é jornalista e editor chefe do blog AAA - Agência Assaz Atroz

MÁRIO SÉRGIO CORTELLA FILÓSOFO - NÃO NASCEMOS PRONTOS


OUTRAS IDÉIAS
A satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa mar- gem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento
NÃO NASCEMOS PRONTOS...
Mário Sergio Cortella
O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: "O animal satisfeito dorme". Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais profundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundân- cia afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.
A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece.
Por isso, quando alguém diz "Fiquei muito satisfeito com você" ou "Estou muito satisfeita com seu trabalho", é assustador. O que se quer dizer com isso? Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a idéia de que desse jeito já basta. Ora, o agradável é alguém dizer "seu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música etc) é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, QUERO CONHECER outras coisas".
Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, nos deixa insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto pas- sam os letreiros, desejando que não cesse? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, permanece um pouco apoiado no colo e nos deixa absortos e distantes, pensando que não poderia terminar? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?
Com a vida de cada um e de cada uma também tem de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento.
Quando crianças (só as crianças?), muitas vezes, diante da tensão provocada por algum desafio que exigia esforço (estudar, treinar, EMA- GRECER etc), ficávamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: Por que a gente já não nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ingênua perspectiva. É fundamental não nascermos sabendo nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio.
Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais se é refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar.
Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na idéia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse, mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando...
Isso não ocorre com gente, mas com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta e vai se fazendo. Eu, no ano 2000, sou a minha mais nova edição (REVISTA e, às vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado, não no presente.
Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, "não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro"...


MARIO SERGIO CORTELLA, filósofo, professor da PUC-SP e autor de "A Escola e o Conhecimento: Fundamentos Epistemológicos e Políticos" (ed. Cortêz/ IPF), entre outros, escreve aqui uma vez por mês