sexta-feira, 30 de junho de 2017

UMA MÉDICA ANÔNIMA - CARTA ABERTA AO PROFESSOR MARCELO

CARTA ABERTA AO       PROFESSOR MARCELO
"Querido Marcelo,
"Peço que me desculpes, mas hoje trato-te por tu. Contigo estamos à vontade e não “à vontadinha”; mas mesmo não tendo andado contigo na escola, e sabendo que tens idade para ser meu avô, permite-me a irreverência.
Elegemos-te, como elegemos todos os políticos, para nos representares. E tu, matreiro, tens feito exactamente isso. Que desassossego Marcelo!
"Que coisa rara ser-se assim genuíno!
"Vais a tudo e a todas. Nem o Emplastro consegue seguir-te as pisadas! Como fizeste no fim-de-semana em que se cumpriu Portugal? Aposto que com tantos quilómetros entre Papa, Salvador e Benfica tinhas amealhado pelo menos uns dez DOTS, se eles ainda estivessem na moda.
"Pouco a pouco, tens conquistado estes corações de granito que nós lusitanos tendemos a carregar. E olha que não gostamos nada disso! Tal como nos Santos a sardinha se vende ao preço do cardume, no mundo da politiquice quando a esmola é muita o povo desconfia. Homem político é para ser odiado, senão de que nos servem? A quem atiramos a primeira pedra se começam todos a ser como tu?
"Contigo é um desatino! Sem esforço, tens intensificado este sentimento de que ainda há políticos decentes. Que ousadia a tua, mostrares-te assim simples e honesto, sem prepotência e sem orgulho! Não tens medo de ser vulnerável. E menos medo tens de quebrar protocolos e seres um Presidente tresmalhado que não segue rebanhos.
"Mostras compaixão onde outros mostraram assessores. Pões o dedo na ferida e vais para a arena com os restantes comuns mortais. Nada do que fazes é por interesse próprio, nem queres que seja. Quando um jornalista te perguntou quanto tempo ficarias no Pedrógão, respondeste, fresco como um manjerico, que ficarias o tempo que fosse necessário. Inconcebível para ti tentar prever o tempo que demora a dar uma palavra de conforto a quem dela mais precisa.
"Estou-te grata por trazeres à baila o humanismo que tinha caído em desuso na tua classe profissional — e não só. No mundo médico por exemplo, é de mau tom e eticamente questionável abraçar um doente. Mas às vezes, quando a dor é muita e não sabemos o que dizer, um abraço diz tudo. E digo-te — cá entre nós — que tanto eu, como muitos colegas, já cometemos essa perversão.
"Sei que sabes quão poderoso pode ser um abraço. Fizeste-o quando chegaste ao local da tragédia, por caminhos aparentemente pouco recomendados. És assim. Deixas tudo num reboliço e vais pousar directamente onde é preciso. E ficas, demoras-te, e inundas tudo e todos de compaixão, como um amigo verdadeiro. Estávamos sedentos de ter alguém assim.
"Nesta vida-luta que travamos nem sempre temos coragem para ser genuínos, vulneráveis e humanos, como tu. Este desamor Marcelo, é para ser vivido longamente. Espero que consigas inspirar outros a ser como tu e que nos relembres que os valores pessoais falam mais alto do que a profissão que exercemos. Mas o que quero mesmo, é que, em caso de tragédia, possas ser tu a ir lá dar “aquele abraço” que todos nós gostaríamos de poder dar!"

sexta-feira, 24 de março de 2017

ADELAIDE ABREU DOS SANTOS - CORRUPÇÃO OU PEDÁGIO DE NEGÓCIOS ESCUSOS!?

Corrupção ou pedágio de negócios escusos!?

Resultado de imagem para MONTANHAS DE DINHEIROSe formos ler atentamente os livros que mencionam o ciclo dos negócios, não importa se na época das cavernas, feudal, industrial ou digital, vamos ver que nele está intrínseco o pedágio obrigatório à concretização dos mesmos, pois sem ele não se consegue penetrar nesse mundo, porque as máfias (entenda-se como máfias, qualquer grupo marginal de poder coercitivo, em qualquer sociedade, com poder absoluto, para cercear qualquer atividade lícita, pois cada país possuiu e possui o seu grupo marginal ao qual tem subserviência, usei o termo máfia, por ter sido cantada e decantada nos livros e nio cinema, mas poderia chamá-los também de piratas e tantos outros dos quais a literatura já nos falou. Englobei esses grupos na palavra máfia, para não haver necessidade de descrever cada um desses grupos, pois que cada um possui suas próprias características, sendo mais ou menos organizado, consoante sua estrutura, mais intelectualizado, ou mais vândalo, de qualquer maneira um grupo interventor e subversor da organização social, quando precisa impor suas regras). Isto posto, vamos ao que nos levou a esta reflexão, a faculdade de negociar.
Resultado de imagem para MONTANHAS DE DINHEIROTodo o sistema econômico de qualquer nação, precisa de proteção contra esses vândalos, sequiosos de poder e dinheiro, pois até o país mais pobre possui um desses grupos em suas entranhas e provavelmente se subordinará a um ou outro que administrará o intercâmbio comercial entre ele e outros provedores. Romanticamente podemos chamá-los de piratas, mas vou chamá-los de abutres, acho que seria uma boa classificação. Sem eles não se vive, leia sobre os abutres e entenderá sua importância no equilíbrio da natureza, porém estes aos quais me refiro, são os abutres financeiros, os piratas de outrora.
Transcreverei uns parágrafos do livro que me fizeram refletir sobre esse círculo vicioso: (O MESTRE-DE-CERIMÔNIAS DE MORRIS WEST,    pg. 227 -  230)
“...
“.... Perguntei a Hoshino:
“-Como acabou a reunião em Nara?
“- Com problemas. Hoshino se mostrava surpreendentemente brusco. – Sem qualquer descortesia ao nosso amigo Boris, mas parece que nosso dinheiro, o de Domenico e o meu, talvez não seja a moeda aceitável nesta operação.
“Vannikov deu de ombros, contrafeito.
“- O que posso dizer? Estamos aqui em seu clube, com suas mulheres, tomando sua bebida...
“- E no outro lado – Cubeddu, que se deixava desviar do sexo com a maior facilidade, interveio em tom ríspido – temos todas as hipocrisias da política. Seu país está quebrado, meu caro! Mas ainda torcem o nariz para os nossos investimentos. Pense bem. Cada mulher aqui está ganhando dinheiro, e você ainda se diverte.
“- Está exagerando, meu amigo – disse Hoshino, suavemente. – Baixe a voz e peça desculpas a Boris.
“Por um momento, pensei que Cubeddu ia protestar, mas ele se retraiu, murmurou que estava cansado e um pouco bêbado. Um momento depois, como se estivesse envergonhado de sua covardia, ele acrescentou:
“- Mas isso não resolve o problema, não é mesmo? Estamos dentro ou fora? Preciso saber.
“- Não posso responder – disse Boris Vannikov, com um ar de cansaço. – Eu informo, recomendo, Moscou decide, e ponto final. Teremos muito mais pessoas em Bangkok. A situação interna será mais precária e, portanto, possivelmente, mais favorável a um acordo. É o máximo que posso dizer.
“...
“- E você, homem de muitas línguas, o que diz?
“- Tem alguma sala particular aqui?
“- Claro.
“- Então eu digo que devemos conversar por um momento, sem a presença das mulheres.
“...
“– Gil tem alguma coisa a nos dizer. Não tenho a menor ideia do que se trata. Ele acha que é importante. Pode começar, por favor.
“Respirei fundo e mergulhei na argumentação.
“- É sobre a cor do dinheiro, senhores. O que é sujo, o que é limpo. O dinheiro das máquinas de pin-ball japonesas é sujo? O dinheiro do jogo? O dinheiro das mulheres? O dinheiro da coca, como o de Domenico(Cubeddu)? Algumas pessoas dizem que, se compra comida para os famintos, é limpo de qualquer maneira. Algumas pessoas dizem que não deve ficar na mesma carteira com o dinheiro ganho por honestos escriturários e esforçadas balconistas, por diplomatas como Boris e editores como eu. Mas não é essa a questão. Se o rótulo em seu dinheiro interromper o fluxo de outros e maiores recursos, levando a União Soviética a perder amigos no momento de sua maior necessidade, então seu dinheiro é ruim.
“- Neste caso, pelo amor de Deus – explodiu Cubeddu -, nós o levamos para casa e investimos em outros lugares! Pura e simplesmente!
“- Escute o homem, por favor.
“O tom de Hoshino era ríspido. Boris Vannikov não disse nada. Seus olhos fixavam-se em meu rosto, como se tentasse ler mais alguma coisa. Continuei:
“- Os americanos vêm tentando há meses sabotar o acordo. Foi-lhes vendida a noção de que representa uma nova versão do antigo eixo Berlim/Tóquio: Alemanha, Rússia e Japão controlando uma nova federação de repúblicas do Báltico ao mar de Bering. Carl Leibig plantou a idéia, Tanaka tentou vendê-la ao keiretsu, Marta Boysen codificou-a em termos econômicos modernos. Presto! Os americanos tinham seu bode expiatório prontinho. Vocês dois entraram em cena... dinheiro da Yakuza, dinheiro das drogas... e eles têm mais trunfo. Moscou precisa desesperadamente de dólares, mas não pode se dar ao luxo de alienar outros maiores investidores. Um impasse. Confira, Boris.
“- Conferido – respondeu Boris Vannikov, sombriamente. – É uma cela acolchoada. Já a percorri mais de mil vezes. Não consigo encontrar uma saída.
“- Talvez, apenas talvez, eu tenha encontrado uma para você.
“- Uma ova que encontrou! – exclamou Cubeddu.
“- Explique, por favor – pediu Hoshino.
“- Passei a tarde conversando com um dos homens que vem comandando a campanha de obstrução dos Estados Unidos. Convenci-o, podem estar certos, de que o argumento geopolítico seria contraproducente para ele. Pode até explodir em sua cara, se ficar comprovado que sua fonte era maculada. Convenci-o também, assim espero, de que não deve ser visto como alguém que impede o fluxo de ajuda, de qualquer fonte, para a União Soviética. O que nos levou a debater a questão inicial: dinheiro sujo? Dinheiro limpo? Ele concordou que se todo o dinheiro entrasse limpo, com as marcas certas de lavanderia, os controles certos, então os americanos podem suspender a luta diplomática. Ainda mais se obtiverem o voto soviético no Conselho de Segurança, como tudo indica que vai acontecer.
“- Tanaka não falou nada sobre isso hoje. – Hoshino fitava-me como um predador prestes a dar o bote. – Leibig também não o mencionou.
“- Porque não discuti o assunto com eles. Estão a par do problema. Ainda não propus esta solução. Não havia nada a discutir enquanto eu não sondasse o terreno. Não posso prometer nada a vocês. Minha instrução é para apenas informá-los, abrir seus olhos para as novas opções.
“- E quais são as nossas opções neste caso?
“A pergunta partiu de Cubeddu.
“- O meio mais rápido e mais fácil de limpar seu dinheiro de investimento é tirá-lo de suas mãos e colocá-lo num fundo, um antiquado fundo de investimentos, com administradores respeitáveis, e deixar que o fundo invista neste projeto.
“- O que significa que perderíamos o controle. – Cubeddu ainda resistia aos estímulos. – Não gostamos disso. Controlamos os nossos negócios, sempre controlamos, sempre vamos controlar.
“- Mas esse não é todo o seu negócio. – Hoshino era suave, persuasivo. – Nem o meu. Para nós, o importante são as futuras relações com uma nova União das Repúblicas na Eurásia. Muito do que você chama de controle sobre os nossos recursos dependeria do relacionamento com os administradores... Eu não rejeitaria a idéia de forma precipitada. Qual é a sua opinião, Boris?
“- Se vocês se despojarem do controle visível, ficarão na mesma situação de quaisquer outros investidores, anônimos e limpos. Isto é desde que não desfilem em Bangkok. Creio que isso daria a todos nós uma boa possibilidade de sucesso. A identidade legal e a proveniência dos recursos seriam confirmadas. Por documentos. É isso mesmo, acho uma excelente idéia.
“...”
O faz de conta, ou a falsidade permeia todos os mega negócios no mundo, portanto não é de admirar que a maioria inocente se choque com corrupção, concessão e tantas mutretas, que são parte integrante do mundo dos negócios, ou dos gananciosos, onde o lucro impera e ninguém tem honra, pois o deus é o dinheiro e só a ele se venera, quanto mais melhor.
Mirem-se na máfia e aprendam com ela, afinal ela tem uma vida longa e a sabedoria está em não matar a galinha dos ovos de ouro.
Concluo que existem abutres inteligentes, que apesar de quererem se alimentar, respeitam o meio ambiente, seja ele o natural, ou o econômico, pois têm consciência de que se eliminarem tudo o que vêem que lhes parece um obstáculo, estarão matando a galinha dos ovos de ouro, pois eliminarão fontes essenciais à sobrevivência, como os recursos hídricos, energéticos e alimentícios, mas as aves de rapina financeiras de certos países são tão limitadas e cegas pela ganância, e pela ignorância, que além de sacrificar o povo com seus desmandos, não percebem que se deixarem o povo crescer intelectualmente, ele se conscientizará e colaborará com a preservação gerando riquezas maiores e estabilidade, gerando melhor qualidade de vida. Quando se tem o povo por parceiro garante-se um futuro equilibrado.

Volto a dizer que quando os gestores são cegos pela ganância e pela ignorância matam a galinha dos ovos de ouro. O país vive permanentemente situações econômicas de penúria e quanto ao lucro que tanto almejam se dilui e escoa por entre os dedos e se constitui no equivalente a uma esmola, se ajudassem o país e sua população desonerariam a nação e viveriam com melhor qualidade de vida, sem temer o revertério e em constante clausura, pois o país pobre é desorganizado, não oferece segurança nem para os ladrões!

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domingo, 26 de fevereiro de 2017

ADELAIDE ABREU DOS SANTOS - A SOLIDÃO! OU AS SOLIDÓES?

A SOLIDÃO! OU AS SOLIDÕES?

ADELAIDE M.G.ABREU DOS SANTOS
A solidão palavra bonita, retumbante, sonora parece algo aprazível... Pode ser! Mas é também escura como breu, um manto escuro e pesado, que te envolve e te asfixia.
Ela não é uma, é muitas... E sempre que quer, a seu bel prazer, aparece e se cola em ti. Hoje vejo que é uma parceira... hum! Não diria, mas uma companheira constante na vida, nem sempre agradável. Às vezes pode ser uma válvula de escape, mas na maioria das vezes é uma megera, ou uma carrasca, que te condena ao isolamento, por timidez, por divergência de preceitos é a que chamamos de “antes só que mal acompanhado”.
Sentimos solidões nas diversas fases da vida. A primeira talvez, ainda quando somos bebês e estamos ali à espera da mamã, pois acordamos e estamos sós! Será que ela foi embora, ou vai voltar? Para nos acarinhar, limpar, alimentar e ninar-nos de novo? Ou quando sentimos uma dor essa coisa estranha que não sabemos o que é, ou estamos com fome e estamos sós no berço ou na caminha, não importa onde, só importa que a chamamos através de nossos lamentos e ao não sermos atendidos, lançamos mão do único recurso de que dispomos, os berros e quando ela chega e nos abraça, soluçamos e vamo-nos tranqüilizando, porque a solidão com vergonha vai embora e nós felizes sorrimos, dizemos um gugu dada, pois estamos seguros nos braços daquela que adoramos, tão quentinhos e reconfortantes são seus braços, mas infelizmente nem todos têm esses braços, pois há aqueles que ao nascer a perderam, há também um tipo de mãe, credo” omissa e por isso nunca encontrarão o porto seguro, que consegue afastar essa inimiga horrorosa.
Depois crescemos e surgem novas solidões, a amiga e a egoísta. A amiga é aquela que se procura, queremos ficar sós e nos isolamos, pois nos sentimos melhor e mais seguros no seu regaço. A esta, atribuímos a qualidade de amiga, mas ela é perigosa e pode nos prejudicar, impedindo-nos de ter laços de amizade, criando assim um refúgio, mas a amizade é-nos muito cara, pois com nossos amigos podemos brincar, cantar, rir e chorar e eles nos apóiam, são solidários e nos acolhem, quando mais precisamos de um abraço, ou uma palavra amiga. Nesta fase somos inocentes, ainda não há a concorrência e por isso podemos confiar neles. As rusgas são apenas rusgas! Pequenas divergências, que não deixam cicatrizes e o calor desses ou desse amiguinho pode mitigar a solidão, afastando-a de nós.
Desenvolvemo-nos mais e ela cola em nós, sofremos muito, pois sentimo-nos rejeitados, ou apenas isolados, excluídos e não sabemos porquê?, o que fizemos?, por que ninguém nos ama? Essas são as nossas indagações, o que podemos fazer? Não temos respostas e quando alguém nos estende as mãos, ficamos maravilhados! [E a hora do perigo, a escolha desse amigo pode ser acertada, ou fatal. Pode ser alguém que realmente deseja te apoiar e te sirva de apoio como uma muleta temporária, para ajudar na transição desse período de escuridão, pode ser a mãe, o pai, um irmão ou outro parente, pode até ser um livro, a música ou um filme, mas cuidado com aqueles que se mostram amigos desinteressados e que vêm cheios de ofertas maravilhosas de um mundo mágico, pois pode estar carregado de más intenções e apenas tem o desejo de te destruir, pois não deseja rivais, teme a tua concorrência e vê em ti um oponente, portanto procurará te eliminar, usufruindo da tua fragilidade momentânea, visará o próprio lucro sobre a tua fraqueza, valendo-se da tua solidão. Esse é aquele que te oferece uma opção de felicidade fácil: as drogas, a prostituição e tantas outras formas de aviltamento do ser humano. Cuidado com os que querem se aproveitar do teu desamparo e abusam de ti valendo-se da tua incapacidade temporária, por pensares que não tens apoio, pois não confias em ninguém, por estares totalmente envolta na solidão, tornas-te uma vítima fácil e te mergulham na mais abjeta solidão.
Agora crescemos mais, vamos à luta, em busca de trabalho. Nesse meio nos deparamos com um monte de amigos, cuidado! Infelizmente a maioria é oportunista e quer usar-te como trampolim. Assevera-te de que realmente o são, pois não é fácil separar o joio do trigo. Existem os que realmente têm carência de uma amizade sincera, mas a grande maioria quer te conhecer para te derrubar, pois deseja brilhar sozinho e por isso cria armadilhas no teu dia a dia, faz intrigas para denegrir a tua imagem, usa-te como escada para a própria progressão, isto não é nada. O pior é o que sentes, pois não sabes por que é que as coisas estão dando errado, conversas com teu amigo que parece não te entender e voltas à solidão e à escuridão, ao isolamento, pois percebes que não podes e não deves confiar e não é fácil descobrir em quem se pode confiar, pois de repente és apunhalado pelo que julgavas teu amigo, que te entrega usando uma confidencia que lhe fizeste. É triste, é desolador, é desesperador, mas é real! Também podes sentir a solidão dos teus preceitos, dos teus pontos de vista. Nas reuniões ninguém acolheo que dizes, ninguém concorda, às vezes te ignoram, falas com as paredes, outras te dispensam, às vezes te reduzem a zero, como se não fosses nada e só falasses idiotices e as tuas sugestões fossem blá blá blá. Recolhes-te à solidão e dali não sais mais em todas as reuniões, não porque não queiras, mas sabes que é inútil. O pior é perceber que se apropriam das tuas idéias criticadas como se delas fossem. Esta solidão à qual te recolhes, te é benfazeja, mas te deixa com um sentimento de desilusão...Vêmo-los, fazerem propostas e conjecturas, diagnosticamos a fragilidade e equívocos, mas sabemos, que ainda que abramos a boca, sequer seremos ouvidos, por isso nos calamos. Ainda que vez por outra sejamos teimosos e invistamos de novo, mas é tudo em vão. Sequer têm capacidade para compreender nossa linha de raciocínio, como diz o vulgo: “é jogar pérolas aos porcos”.
A solidão agora é mais atrevida! À medida que o tempo passa ela se avoluma mais e mais com a ânsia de te engolir, pois estás só, completamente ou quase só, pois a tua faixa etária tem poucos remanescentes e quantos com a tua capacidade intelectual? Portanto menos pessoas falam a tua língua, a comunicação fica difícil, Para ti a vida é um déjà vu, mas eles estão sempre descobrindo o ovo de Colombo... As pessoas te olham como um ET e tu não podes  fazer nada. Estás vivo, lúcido, és a história viva, portador de uma bagagem volumosa, dessas que se fosse para pagar o peso em ouro de tão carregada, o ouro do mundo não alcançaria a pagar, mas somos vítimas dos outros que estão sequiosos de elogios e ansiosos de mostrar que sabem, com a vaidade da inexperiência não querem te ouvir, pois te acham obsoleto. Tenho pena, mas não posso, nem quero dar murro em ponta de faca, para mostrar-lhes que poderiam ouvir-me e encurtar alguns percalços . É impossível se insurgir contra a roda da vida, que com seu movimento constante nos faz subir e descer a seu bel prazer, qual montanha russa e às vezes de maneira inconseqüente, deixa aleatoriamente cair um ou outro de seus passageiros, que a partir de então deixam de existir e consequentemente perdem a solidão.
 De novo retorno à solidão, sem amigos para me divertir, pessoas com quem interagir e exercitar a minha inteligência, partilhar meus conhecimentos e minhas experiências, mas isso não me empobrece, pois graças a Deus tenho os livros para mitigar a solidão. Pena que as civilizações modernas não saibam se apoiar no conhecimento de seus anciões. É uma burrice inestimável!
A solidão nos atrai de mil maneiras, oportunizando-se de nossas mutações, nossas fraquezas e nossas opiniões drásticas e divergentes.
Solidão amiga! Solidão carrasca. Solidão solícita. Solidão reflexiva, mas sempre solidão!!!SÓ!!!! INDIVÍDUO!