IRMÃO MAIS VELHORETALHOS DA VIDAAntonio Falchetto07 DE AGOSTO DE 2014
Hoje, data de despedida, pensei muito nesse irmão que nos deixa. Coisas que sentimos sem pensar.
Um
primogênito de futuro com um pé nalguma ponte de comando portuguesa,
transformado, pela morte de seu pai, em mais um remador nesta barca da vida.
Passageiro involuntário de uma viagem alucinante, veio parar no Brasil, terra
de promessas.
Tocante
foi sua capacidade de adaptação e de proatividade. "Se nosso futuro é este
vamos fazer o melhor que podemos!"
Eu
fui o primeiro novo irmão da relação de sua mãe com seu padrasto (que nome mais
carregado de tensões!!!), ele tinha 16. Sua reação foi construir um berço de
madeira na escola de artes e ofícios do Funchal. Quem poderia desejar uma
recepção melhor?
Mais
tarde, sua profissão chamava a atenção do irmão mais novo, que queria desenhar
como o mais velho. "desenha um carro aí? E um navio? Um avião, uma árvore?"
Quanto papel gastei tentando imitar o irmão mais velho!
E
no fim é isso o que somos, um pedaço de um irmão, outro de outro, do pai, da
irmã, vamos costurando nossa existência a partir dos retalhos que vamos catando
dos nossos modelos.
Não
é fácil essa parte de despedida, mas faz parte do processo. A vida depende das
individualidades para pavimentar o caminho por onde segue a humanidade.
Eu
sou muito grato por tudo o que o Francisco Horácio representou para mim. Sei
agora ver entre todos os defeitos, que sempre sabemos apontar nos irmãos, essas
qualidades 'sine qua non' que fazem de nós o que somos.
Bem
disse quem citou que nunca morre aquele que vive em nosso coração.
FIM