quinta-feira, 25 de março de 2021

JUAN VALERA - EL COCINERO DEL ARZOBISPO

EL COCINERO DEL      ARZOBISPO

JUAN VALERA

                           
         En los buenos tiempos antiguos, cuando estaba poderoso y boyante el Arzobispado, hubo en Toledo un Arzobispo tan austero y penitente, que ayunaba muy a menudo y casi siempre comía de vigilia, y más que pescado, semillas y yerbas. Su cocinero le solía preparar para la colación, un modesto potaje de habichuelas y de garbanzos, con el que se regalaba y deleitaba aquel venerable y herbívoro siervo de Dios, como si fuera con el plato más suculento, exquisito y costoso. Bien es verdad que el cocinero preparaba con tal habilidad los garbanzos y las habichuelas, que parecían, merced al refinado condimento, manjar de muy superior estimación y deleite.
           Ocurrió, por desgracia, que el cocinero tuvo una terrible pendencia con el mayordomo. Y como la cuerda se rompe casi siempre por lo más delgado, el cocinero salió despedido. Vino otro nuevo a guisar para el señor Arzobispo y tuvo que hacer para la colación el consabido potaje. Él se esmeró en el guiso, pero el Arzobispo le halló tan detestable, que mandó despedir al cocinero e hizo que el mayordomo tomase otro.
Ocho o nueve fueron sucesivamente entrando, pero ninguno acertaba a condimentar el potaje y todos tenían que largarse avergonzados, abandonando la cocina arzobispal.
Entró, por último, un cocinero más avisado y prudente, y tuvo la buena idea de ir a visitar al primer cocinero y a suplicarle y a pedirle, por amor de Dios y por todos los santos del cielo, que le explicara cómo hacía el potaje de que el Arzobispo gustaba tanto.                                              
Fue tan generoso el primer cocinero, que le confió con lealtad y laudable franqueza su procedimiento misterioso.
El nuevo cocinero siguió con exactitud las instrucciones de su antecesor, condimentó el potaje e hizo que se le sirvieran al ascético Prelado. Apenas éste le probó, paladeándole con delectación morosa, exclamó entusiasmado:
 - Gracias sean dadas al Altísimo. Al fin hallamos otro cocinero que hace el potaje tan bien o mejor que el antiguo. Está muy rico y muy sabroso. Que venga aquí el cocinero. Quiero darle merecidas alabanzas.                                                                
      El cocinero acudió contentísimo. El Arzobispo le recibió con grande afabilidad y llaneza, y puso su talento por las nubes.
Animado entonces el artista, que era además sujeto muy sincero, franco y escrupuloso, quiso hacer gala de su sinceridad y de su lealtad y probar que sus prendas morales corrían parejas con su saber y aun se adelantaban a su habilidad culinaria. El cocinero, pues, dijo al Arzobispo:
- Excelentísimo señor: a pesar del profundísimo respeto que V. E. me inspira, me atrevo a decirle, porque lo creo de mi deber, que el antiguo cocinero lo estaba engañando y que no es justo que incurra yo en la misma falta. No hay en ese potaje garbanzos ni habichuelas. Es una falsificación. En ese potaje hay albondiguitas menudas hechas de jamón y pechugas de pollo, y hay riñoncitos de aves y trozos de criadillas de carnero. Ya ve V. E. que le engañaban.
El Arzobispo miró entonces de hito en hito al cocinero, con sonrisa entre enojada y burlona, y le dijo:
- ¡Pues engáñame tú también, majadero!
FIN

sábado, 13 de março de 2021

SABEDORIA SUFI - DANDO O QUE TEM

DANDO O QUE TEM
                                                                       SABEDORIA SUFI
          Um sábio chegou à cidade de Akbar, mas as pessoas não deram muita importância. Conseguiu reunir em torno de si apenas alguns jovens, enquanto o resto dos habitantes ironizava seu trabalho.
          Passeava com os poucos discípulos pela rua principal, quando um grupo de homens e mulheres começou a insultá-lo. Ao invés de fingir que ignorava o que acontecia, o sábio foi até eles e abençoou-os.
           Ao sair dali, um dos discípulos comentou:
          - Eles dizem coisas horríveis e o senhor responde com belas palavras.
          O sábio respondeu:
         - Cada um de nós só pode oferecer o que tem. Qual o maior luxo?
         Ao lado do mosteiro de Ibak, vivia um sábio sufi, excelente negociante, que terminou por acumular uma grande riqueza.
            Um visitante do mosteiro, ao ver os custos altíssimos dos trabalhos de renovação do templo, disse para quem quisesse escutar:
           - Eis que os caminhos da sabedoria se transformam na estrada da ilusão! Encontrei alguém que diz procurar a verdade e, no entanto, está podre de rico!
        As palavras terminaram chegando aos ouvidos do sábio. Quando lhe perguntaram o que tinha a dizer, ele comentou:
        - Eu achava que possuía tudo e acabo de descobrir que me faltava uma coisa. Agora sei que sou realmente um homem rico, porque consegui o luxo mais sofisticado.
         - E qual é o luxo mais sofisticado? - quis saber um dos monges.
          - É ver alguém sentindo inveja de você.
          A hora da decisão
       Um vendedor de camelos chegou numa aldeia vendendo belos animais, por excelente preço. Todos compraram - menos o sr. Hoosep.
    Tempos mais tarde, a aldeia foi visitada por outro vendedor - com excelentes camelos, mas com preços bem mais altos. Desta vez, Hoosep comprou alguns animais.
       - Você deixou de comprar os camelos quase de graça, e agora vai adquiri-los por quase o dobro? - criticaram os amigos.       - Aqueles que estavam baratos me eram muito caros, porque na época eu estava com pouco dinheiro - respondeu Hoosep. - Estes podem parecer mais caros; mas para mim são baratos, já que tenho mais que o suficiente para comprar.
          Distinguindo o bom do mau
         Um padeiro queria conhecer Uways e este foi à padaria disfarçado de mendigo. Pegou um pão, começou a comê-lo: o padeiro espancou-o e atirou-o na rua.
         - Louco! - disse um discípulo que chegava - Não vê que expulsou o mestre que queria conhecer?
         Arrependido, o padeiro foi até a rua e perguntou o que podia fazer para que o perdoasse. Uways pediu que convidasse a ele e seus discípulos para comer.
         O padeiro levou-os até um excelente restaurante e pediu os pratos mais caros.
         - Assim distinguimos o homem bom do homem mau - disse Uways para os discípulos, no meio do almoço. - Este padeiro é capaz de gastar dez moedas de ouro num banquete porque sou célebre, mas é incapaz de dar um pão para alimentar um mendigo com fome. ,                         نهاية

quarta-feira, 3 de março de 2021

LENDA INDIANA - O QUE É A VERDADE?

 O QUE É A VERDADE

LENDA INDIANA

Há muitos anos vivia na Índia um rei sábio e muito culto. Já havia lidos todos os livros de seu reino. Seus conhecimentos eram numerosos como os grãos de areia do Rio Ganges. Muitos súditos e ministros, para agradar o rei, também se aplicaram aos estudos e às leituras dos velhos livros. Mas viviam disputando entre si quem era o mais conhecedor, inteligente e sábio. Cada um se arvorava em ser o dono da verdade e menosprezava os demais.

O rei se entristecia com essa rivalidade intelectual. Resolveu, então, dar-lhes uma lição. Chamou-os todos para que presenciassem uma cena no palácio. Bem no centro da grande sala do trono estavam alguns belos elefantes. O rei ordenou que os soldados deixassem entrar um grupo de cegos de nascença.

Obedecendo às ordens reais, os soldados conduziram os cegos para os elefantes e, guiando-lhes as mãos, mostraram-lhe os animais. Um dos cegos agarrou a perna de um elefante; o outro segurou a cauda; outro tocou a barriga; outro, as costas; outro apalpou as orelhas; outro, a presa; outro a tromba.

O rei pediu que cada um examinasse bem, com as mãos, a parte que lhe cabia. Em seguida, mandou-os vir à sua presença e perguntou-lhes:

- Com que se parece um elefante?

Começou uma discussão acalorada entre os cegos.

Aquele que agarrou a perna respondeu:

- O elefante é como uma coluna roliça e pesada.

- Errado! - interferiu o cego que segurou a cauda. - O elefante é tal qual uma vassoura de cabo maleável.

- Absurdo! - gritou aquele que tocou a barriga. - é uma parede curva e tem a pele semelhante a um tambor.

- Vocês não perceberam nada - desdenhou o cego que tocou as costas. - O elefante parece-se com uma mesa abaulada e muito alta.

- Nada disso! - resmungou o que tinha apalpado as orelhas. - É como uma bandeira arredondada e muito grossa que não para de tremular.

- Pois eu não concordo com nenhum de vocês - falou alto o cego que examinara a presa. - Ele é comprido, grosso e pontiagudo, forte e rígido como os chifres.

- Lamento dizer que todos vocês estão errados - disse com prepotência o que tinha segurado a tromba. - O elefante é como a serpente, mas flutua no ar.

O rei se divertiu com as respostas e, virando-se para seus súditos e ministros, disse-lhes:

- Viram? Cada um deles disse a sua verdade. E nenhuma, delas responde corretamente à minha pergunta. Mas se juntarmos todas as respostas poderemos conhecer a grande verdade. Assim são vocês: cada um tem a sua parcela de verdade. Se souberem ouvir e compreender o outro e se observarem o mundo de diferentes ângulos, chegarão ao conhecimento e à sabedoria.