VILA DE
MARVÃO
PESQUISA
DE ADELAIDE ABREU-DOS-SANTOS
A
Mui Nobre e Sempre Leal Vila de Marvão localiza-se em Portugal,
no distrito de Portalegre, região Alentejo
e sub-região do Alto Alentejo, com menos de 500
habitantes, situada no topo da Serra do Sapoio, a uma altitude de 860 metros.

É
sede do município
de Marvão com 154,90km² de área e 3.512habitantes (2011), subdividido em 4 freguesias. O
município é limitado a norte e leste pela Espanha, a sul e
oeste pelo município de Portalegre e a noroeste por Castelo
de Vide.

A
vila e as montanhas escarpadas em que se localiza estão inscritas na lista de
candidatos a Património Mundial da UNESCO desde 2000.
O
título de Mui Nobre e Sempre Leal foi concedido à Vila de Marvão pela Rainha D. Maria
II.
HISTÓRIA Desde,
pelo menos, o período romano, que os rochedos de Marvão são utilizados como
refúgio ou como ponto estratégico militar. No século X foi referida pelo
historiador cordovês hispano-muçulmano Issa ibne Amade Razi
como Amaia de ibne Maruane e Fortaleza de Amaia, fortaleza essa que em 884
serviu de refúgio ao fundador de Marvão, o rebelde muladi
ibne Maruane
Aliliqui, "O Galego"(morto em 889), líder de
um movimento sufi
no Alandalus, que pegou em
armas contra os emires
de Córdova e criou uma espécie de reino independente sediado em Badajoz até à
instauração do califado de
Córdova em 931.



DOM AFONSO HENRIQUES DOM DINIS

DOM SANCHO II
A
localidade foi conquistada aos muçulmanos
por D. Afonso Henriques durante as campanhas de
1160/1166, tendo sido novamente tomada pelos mouros na contra-ofensiva de Iacube Almançor(r. 1184–1199), em 1190. Em
1226, D. Sancho II
dá foral à população e manda ampliar o castelo. Em 1299, D. Dinis disputa e apodera-se do castelo, que
foi incluído no plano das suas reedificações militares e passou a ter uma
grande importância estratégica nas guerras com os castelhanos.
FREGUESIAS
DE MARVÃO: Beirã
é uma freguesia
portuguesa
do concelho do Marvão, na região do Alentejo, com 44,79km² de
área e 498habitantes(2011). A sua densidade populacional é de 11,1 hab/km².
A
freguesia da Beirã teve uma estação de combóios(Marvão-Beirã) que serviu a sede
de concelho, Marvão.

Santa
Maria de Marvão é uma freguesia
portuguesa
do concelho do Marvão, na região do Alentejo,
com 23,40km² de área e 486habitantes (2011). A sua densidade populacional é de
20,8 hab/km².

É
a única freguesia urbana do concelho de Marvão, correspondendo à totalidade da
sede de concelho, a vila de Marvão.
O
seu nome deriva do Governador Mouro Marwan, que aí tinha refúgio.

O
Castelo de Marvão, no Alentejo, localiza-se na vila e freguesia de Santa Maria de Marvão, concelho de Marvão, distrito de
Portalegre, em Portugal.
O
castelo inscreve-se no Parque Natural da Serra de São Mamede, na vertente norte da
serra, em posição dominante sobre a vila e estratégica sobre a linha da raia,
controlando, no passado, a passagem do rio Sever,
afluente do rio Tejo.
Esse fato garantiu-lhe a atenção de diversos monarcas, expressa em diversas
campanhas de remodelação, que deram ao monumento o seu aspecto atual.
HISTÓRIA do casteloANTECEDENTES Pouco
se sabe quanto à primitiva ocupação humana de seu sítio, possivelmente um castro pré-histórico.
À época da Invasão romana da Península Ibérica,
alguns autores defendem ser esta a povoação romanizada que os Lusitanos denominavam como Medóbriga,
que, objeto de disputa entre as forças de Pompeu
e de Júlio César,
foi conquistada por tropas deste último sob o comando do propretor Caio
Longino, em meados do século I. O interesse pela povoação derivava principalmente
por ser vizinha à estrada romana que ligava Cáceres a Santarém, na altura da ponte que cruzava o rio
Sever (Ponte da Portagem).

Embora
não haja mais informações acerca do período das invasões de Suevos, Visigodos e Muçulmanos, entre 876 e 877 aí se instalou ibne Maruane,
sendo o local conhecido já no século X como Amaia de ibne Maruane ou Fortaleza
de Amaia.
O CASTELO MEDIEVAL No
contexto da conquista de Alcácer do
Sal, D. Afonso Henriques(1112-1185) terá tomado
a povoação aos mouros entre 1160 e 1166. Quando da demarcação do termo de Castelo
Branco(1214),
Marvão já se incluía em terras portuguesas. D. Sancho II(1223-1248) concedeu-lhe Carta de
Foral(1226),
visando manter esta sentinela avançada do território povoada e defendida diante
das repetidas incursões oriundas de Castela
à época.

D. Afonso III(1248-1279) doou os domínios
de Marvão aos cavaleiros da Ordem de Malta(1271), posteriormente
outorgados a seu filho, Afonso
Sanches, juntamente com os senhorios de Arronches, Castelo de
Vide e Portalegre. Por esta razão, ao se iniciar o
reinado de D. Dinis(1279-1325), a vila e o seu castelo
viram-se envolvidos na disputa entre o soberano e o infante D. Afonso, vindo a
ser conquistados pelas forças do soberano em 1299. No encerramento da
questão, os domínios de Marvão, Portalegre e Arronches foram trocados pelos de Sintra
e de Ourém, permanecendo os primeiros na posse do
soberano. Este confirmou a Marvão o foral de 1226 e empreendeu-lhe obras de
ampliação e reforço das defesas, destacando-se a construção da torre de menagem, iniciada
no ano de 1300.

No
reinado de D. Fernando(1367-1383), foi estabelecido
em Marvão o couto
de homiziados (1378).
Após o seu falecimento, ao eclodir a crise de 1383-1385,
a vila e seu castelo posicionaram-se pelo partido do Mestre de Avis. O novo soberano e os seus
sucessores concederam diversos privilégios à vila (1407,
1436 e 1497) com o mesmo fim de
incrementar o seu povoamento e defesa. Nessa fase, foram procedidos também
reforços nas muralhas, o que é constatado pela presença de cubelos datando dos
séculos XV e XVI.
DA GUERRA DA RESTAURAÇÃO AOS NOSSOS DIAS
Quando
da Restauração da independência portuguesa, no contexto da guerra
que se seguiu, as defesas de Marvão foram remodeladas, adaptadas aos avanços da
artilharia
da época. A primeira fase dessas obras desenvolveu-se entre 1640 e 1662 quando o abade D. João Dama empreendeu a reconstrução de um
troço da muralha e barbacãs
que se encontravam em ruínas, providenciou reparo nas portas do castelo e
outros consertos necessários à conservação e defesa da vila. Ainda em obras,
sofreu assalto por forças espanholas (1641 e 1648), batendo-se
ativamente com a praça vizinha de Valencia de Alcántara, até à conquista
desta pelas forças de D. António Luís de Meneses (1644. Um relato de Nicolau de Langres, à época, informa que a
guarnição de infantaria e de cavalaria portuguesa nesta fortificação eram
oriundos de Castelo de Vide, contando Marvão com cerca de
400 habitantes.

Ao
se iniciar o século XVIII, a fortaleza de Marvão foi
conquistada pelo exército espanhol (1704), para ser retomada em seguida pelas tropas portuguesas
sob o comando do conde de São João(1705). Um novo assalto
espanhol à vila se repetiria décadas mais tarde, em 1772.

No século XIX,
abrindo-se a Guerra Peninsular, foi ocupada por tropas
francesas, libertando-se em 1808. Posteriormente, quando das Guerras
Liberais, no episódio conhecido como Guerra da Patuleia, foi ocupada pelas forças
liberais (12 de Dezembro de 1833), vindo a sofrer o
assédio das tropas miguelistas no ano seguinte (1834).

O
castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional, por Decreto publicado em 4 de Julho
de 1922.
A intervenção do poder público, por iniciativa da Direcção-Geral
dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), iniciou-se em 1938, na forma de
reparações, renovações, reconstruções, desinfestações, limpeza e pintura,
repetindo-se até aos nossos dias. Desde então, com o apoio da Liga dos Amigos
do Castelo de Marvão e da Câmara Municipal, este patrimônio vem sendo mantido
em bom estado de conservação. Ao visitante são oferecidas visitas guiadas ao
núcleo arqueológico de armaria nas dependências do castelo.
CARACTERÍSTICAS O
Castelo de Marvão ergue-se sobre uma crista quartzítica,
na cota de 850 metros acima do nível do mar,
encerrando em seus muros a vila medieval. Os seus muros, reforçados por torres, distribuem-se em
linhas defensivas concêntricas: a
linha interna, reforçada por duas torres e um cubelo, dominada pela Torre de
Menagem, de planta quadrada, que lhe é adossada; a linha
intermediária, coroada por ameias e reforçada por torres maciças;a linha externa,
constituída pela barbacã, de onde parte a cerca da que envolve o monte e
compreende a vila. A adaptação dessa defesa no final do século XVII,
converteu o castelo na cidadela da fortaleza abaluartada, com Canhoneira
nos eirados, permitindo o tiro rasante.
A LENDA DE NOSSA
SENHORA DA ESTRELA No
século VIII,
sem conseguir resistir ao avanço dos muçulmanos na região, os habitantes de
Marvão abandonaram as suas terras para procurar refúgio nas montanhas das Astúrias, onde se mantinha
viva a resistência cristã. Antes de partir, trataram de esconder
as imagens sagradas. À época da Reconquista,
passados mais de quatro séculos, afirma-se numa noite, um pastor guiado por uma
estrela, dirigiu-se a um monte onde encontrou, entre as rochas, uma imagem de Nossa Senhora.
Como sinal de devoção, foi erguido nesse local um convento franciscano (Convento de Nossa Senhora da Estrela),
tendo a Senhora se tornado protetora do castelo. Com relação a essa devoção em
particular, conta-se ainda que, uma noite em que forças castelhanas, conduzidas
por dois traidores, se aproximavam sorrateiramente do castelo para o assaltar,
ouviu-se na escuridão uma voz feminina que bradava Às armas!. Enquanto os
sentinelas avisavam a guarnição para se pôr a postos, puderam ser vistos os
castelhanos em fuga descendo a encosta, assustados.
MARVÃO A
pitoresca vila de Marvão, que faz parte de qualquer circuito turístico ao norte
alentejano, situa-se numa zona muito rica em termos faunísticos. Esta zona destaca-se
pela sua colónia de grifos e pela enorme diversidade de passeriformes,
permitindo observar algumas espécies de aves pouco comuns no território nacional.
VISITA: O
castelo de Marvão, com as suas vistas panorâmicas, merece a atenção de qualquer
observador de aves. O melhor local de observação situa-se nos torreõesda
extremidade norte do castelo. Este é um local excelente para observar o melro-azul, que pousa
frequentemente nas muralhas ou nos torreões. Também a ferreirinha-alpina frequenta
habitualmente este local, podendo alimentar-se do lado de fora da muralha em
dias de grande afluência de visitantes. O rabirruivo-preto é frequente
a toda a volta da cerca muralhada. No interior do castelo há geralmente poucas
aves, sendo o pardal-comum
a especie mais conspícua neste voa frequentemente junto às muralhas. Do lado de
fora das muralhas não é raro verem-se perdizes.

O
Rio Sever, na zona da Portagem, vendo-se ao fundo a escarpa de Marvão. A
alvéola-cinzenta vê-se facilmente no rio.

Na
parte norte do concelho fica a pequena aldeia da Beirã, onde se situa a antiga estação
ferroviária internacional. Esta área pode ser explorada facilmente, pois há várias
estradas municipais com pouco tráfego, que permitem uma observação tranquila.

A
zona é particularmente rica em passeriformes. Entre as espécies mais comuns e fáceis
de observar, são de referir a cotovia-montesina, a toutinegra-de-cabeça-preta,
a pega-rabuda(frequente nas
imediações da aldeia), o gaio,
o estorninho-preto e o trigueirão. No Inverno
observam-se pequenos bandos de pardais-espanhóis, que
frequentam os silvados e por vezes se alimentam nas bermas das estradas. Esta
zona também é rica em aves de rapina, podendo ver-se regularmente o bútio-comum e a águia-cobreira, para além
de ocasionais bandos de grifos,
presumivelmente oriundos de Espanha.
Toutinegra-de-cabeça-preta
Pega-rabuda
Gaio
Estorninho-preto
Trigueirão